Como as alianças de Moro podem isolar a candidatura de Ciro Gomes para 2022


Por Wesley Oliveira


Filiado ao Podemos, Sergio Moro tenta ampliar seu grupo político para ser o nome da terceira via.| Foto: Saulo Rolim/Podemos


Há pelo menos um ano figurando como terceiro colocado nas pesquisas sobre a disputa eleitoral de 2022, o pré-candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, vai buscar agora inviabilizar a pré-candidatura do ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro, recém-filiado ao Podemos. Reservadamente, pedetistas já admitem que Ciro Gomes terá que mudar a sua estratégia, caso queira viabilizar seu nome para chegar ao segundo turno contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou contra Jair Bolsonaro (sem partido).

Divulgado no mesmo dia da filiação de Moro ao Podemos, o levantamento da Genial/Quaest mostrou o ex-juiz da operação Lava Jato na terceira colocação com 8% das intenções de voto. O ex-presidente Lula lidera com 48%, enquanto o presidente Bolsonaro apareceu com 21% das intenções de voto. Nesse cenário, Ciro Gomes apareceu em quarto lugar com 6%.

Entusiastas da candidatura de Moro, no entanto, apostam que o ex-ministro deverá chegar “aos dois dígitos” nas próximas pesquisas. “Sem dúvida, ele [Moro] tem condições. O eleitor é que vai romper [a polarização entre Bolsonaro e Lula]. O eleitor é quem vai ter a oportunidade de escolher”, diz o general Santos Cruz, um dos articuladores da candidatura de Moro.

Até então apostando em críticas tanto a Lula quanto a Bolsonaro para se viabilizar, Ciro Gomes agora sinaliza que deverá ampliar as críticas também contra Sergio Moro. Segundo aliados do pedetista, a estratégia era atrair o eleitor que votou em Bolsonaro, por causa do antipetismo. No entanto, Moro pode ter mais chances de atrair essa fatia do eleitorado, na avaliação de integrantes do PDT.

"Um juiz que, traindo seu compromisso da magistratura, de julgar, tira um político da disputa e, antes da eleição, aceita se aliar a outro político que foi beneficiado pela exclusão daquele outro político que ele condenou. Isso é uma lesão moral que explica que essa é uma pessoa profunda e definitivamente desonesta", disse Ciro Gomes na gravação do reality “O Político”.

Além disso, o pedetista afirmou que Sergio Moro é “despreparado” para o cargo de presidente. "Considero ele [Moro] uma pessoa completamente despreparada, que não tem a decência pessoal e não conhece nem remotamente a tragédia brasileira."

Moro tenta atrair demais partidos da terceira via 

Apesar de abrir diálogo inicialmente com outros partidos da chamada terceira via, Ciro Gomes acabou se afastando do grupo após apresentar resistências em abrir mão de sua própria candidatura. Recentemente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que o pedetista não representa os defensores de uma candidatura alternativa a polarização entre Bolsonaro e Lula.

“Não quero ser deselegante com Ciro Gomes, mas não creio que ele possa representar a terceira via. Ele está dentro de uma linha independente, para a qual eu respeito”, disse Doria.

Em outra frente, Moro abriu interlocução com integrantes do o União Brasil e do PSDB. O União Brasil é resultado da fusão do DEM com o PSL, tem como pré-candidato a presidente o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. A expectativa do grupo é de que o nome mais bem posicionado nas pesquisas seja oficializado na disputa presidencial do próximo ano.

Partidos como MDB, Novo e Cidadania também entraram na mira do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro, no intuito de ampliar seu grupo político. Pré-candidato pelo Cidadania, o senador Alessandro Vieira (SE) admite que esse é o momento da apresentação dos nomes. “Ele [Moro] fez um discurso de candidato. Futuramente os partidos poderão analisar quais os melhores nomes da terceira via”, disse o senador sergipano.

Sem alianças nacionais, PDT busca palanques regionais para Ciro

Preterido pelos demais partidos da terceira via, aliados de Ciro Gomes apostam na construção de alianças nos estados para tentar garantir palanques ao pedetista. Na Bahia, por exemplo, o PDT mantém proximidade com ACM Neto, pré-candidato ao governo estadual pelo União Brasil.

“Nós temos a única via real de crescimento para o país, um consolidado projeto nacional de desenvolvimento e um candidato com nome e sobrenome para exercê-lo, que é o Ciro Gomes. Para isso, a gente precisa de palanque, o que só conseguiremos construindo alianças”, afirma Carlos Lupi, presidente nacional do PDT.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o PDT tenta se aliar ao grupo do ex-governador Márcio França (PSB). Contudo, França tem apostado numa ponte entre o ex-presidente Lula e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Alckmin está de saída do PSDB e pode se filiar ao PSB. Com isso, o principal aliado de Ciro Gomes no estado deve ser o apresentador de TV José Luiz Datena, que pretende disputar o Senado pelo PSD.

Em Pernambuco, a cúpula do PDT já sinalizou que não apoiará o PSB, com o qual tem aliança desde 2006, se a sigla apoiar o ex-presidente Lula no estado. Como plano B, Ciro já ensaia uma aliança com o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (DEM), pré-candidato a governador. Filho do líder do governo Bolsonaro no Senado, senador Fernando Bezerra (MDB-PE), Miguel Coelho já sinalizou que não tem restrições em oferecer palanque ao pedetista.

No Rio de Janeiro, o pré-candidato ao governo pelo PSB, Marcelo Freixo, passou a ser cortejado pelos pedetistas. Freixo, contudo, mantém interlocuções com Lula e já sinalizou que pretende dar preferência ao petista diante das costuras feitas pelo PSB. Nesse cenário, o ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves poderá ser lançar na disputa ao governo do estado para garantir palanque para Ciro Gomes.

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