Anuário Brasileiro de Segurança Pública domina espaço na imprensa


Quebra do sigilo bancário do deputado David Miranda e Pacote Anticrime também tiveram destaque no noticiário


O lançamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019, no último dia 10, foi o assunto que mais mobilizou a imprensa na última semana. A publicação, em sua 13ª edição, reúne 69 tabelas, 14 gráficos e 18 textos analíticos sobre diversos fenômenos de crime, violência e segurança pública ao longo de suas mais de 200 páginas. Neste ano, o Anuário apontou que os homicídios caíram 11% entre 2017 e 2018, porém, as mortes decorrentes de intervenções policiais tiveram um aumento de 19% no período. A violência contra a mulheres e meninas também mostra números alarmantes, entre eles: a cada quatro horas, uma menina de até 13 anos é estuprada no Brasil.

Em nosso modelo que analisa dados e clipagem, a cobertura do Anuário, com seus diversos recortes (crimes violentos letais e não letais, crimes patrimoniais, violência contra as mulheres, armas de fogo, gastos com segurança pública, violência nas escolas e sistema prisional), somou 29% da cobertura midiática sobre segurança pública na semana.


Fonte: Elaboração do Fonte Segura a partir de dados de clipagem, utilizando Strucutral Topic Modelling.




Na quarta-feira (11/09), veio a público a informação sobre relatório do Conselho de Controle de Atividade Financeiras (COAF) que apontou movimentações financeiras atípicas, da ordem de R$ 2,5 milhões, na conta de David Miranda, deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro. O relatório da COAF foi enviado ao Ministério Público dois dias depois das primeiras reportagens sobre mensagens de autoridades da operação Lava Jato publicadas pelo The Intercept Brasil, em 9 de junho. Miranda, que é casado com Glenn Greenwald, editor do veículo, alega tratar-se de retaliação por conta destas divulgações.

O COAF já havia sido peça importante em diversos outros casos de destaque, como sua disputa entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Economia pelo controle do órgão, as investigações sobre o senador Flavio Bolsonaro e seu ex-assessor Fabrício Queiroz, a substituição em sua presidência e, por fim, no final de agosto, a transformação do órgão em Unidade de Inteligência Financeira (UIF), que foi colocado sob alçada do Banco Central.

O Pacote “Anticrime” também teve destaque na mídia. Na segunda-feira, foram divulgadas informações de que peças publicitárias na TV, rádio e redes sociais deveriam já estar sendo veiculadas desde junho. Porém, desgastes com o vazamento de mensagens da operação Lava Jato teriam prejudicado o cronograma publicitário. Em agosto, a Secretaria de Comunicação analisou estas peças e vetou uma parte do material por não ser coerente com “as ideias do governo”. Em uma das propagandas haveria questionamento sobre a liberação do porte de armas. Em outro revés legislativo para o ministro Sergio Moro, dois dias mais tarde, deputados do Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados que analisa o Pacote rejeitaram a proposta de tornar regra os julgamentos à distância. A notícias sobre a Lava Jato e o Pacote “Anticrime” representaram 21% do conteúdo da mídia em nosso modelo.


Fonte: Elaboração do Fonte Segura a partir de dados de clipagem, utilizando Strucutral Topic Modelling.


Outros 24% da cobertura da imprensa tiveram como foco temas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, como a assinatura, na terça-feira (10/9), de acordo para transferência da tecnologia do Portal do Consumidor para o governo da Argentina.

Por fim, o tema da violência contra as mulheres teve bastante espaço da mídia por meio da descrição de casos de agressões e feminicídios que correspondem a aproximadamente 26% do conteúdo sobre segurança pública na semana.

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