UM ANJINHO


Falso policial preso no Rio.


Agentes da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) prenderam na segunda-feira, na Baixada Fluminense, um homem que se passava por policial civil para extorquir comerciantes.
Davi Liberato de Araújo, de 42 anos, estava em liberdade condicional após ser preso, em 2008, pela tortura de uma equipe de reportagem do jornal "O Dia" na favela do Batan, em Realengo, Na Zona Oeste. Na ocasião, o miliciano foi apontado como o segundo homem na hierarquia do Batan. 
Contra Davi, havia dois mandados de prisão pendentes.

Muito bem equipado

Com ele, foram apreendidos camisas, carteiras e um distintivo da corporação, além de mandados de busca e apreensão falsos que eram usados durante as extorsões. 
Ele se passava por agente da Dcod e de outras delegacias especializadas para a prática dos crimes.

Falhas

Os mandados de busca e apreensão falsos possuíam a mesma data e os mesmos números de processo. Apenas o nome do denunciado e o local da diligência eram alterados para se adaptar às vítimas das extorsões. 

Até viatura

Ele utilizava um veículo roubado que era usado como viatura descaracterizada durante os atos criminosos.

Um anjinho


Em 14 de maio de 2008, uma equipe do jornal "O Dia" que fazia uma reportagem sobre a ação das milícias na favela do Batan foi capturada por homens encapuzados e armados. Uma repórter, um fotógrafo e um motorista foram levados para um cativeiro, onde foram submetidos a socos, pontapés, choques elétricos e sufocamento com saco plástico. Eles foram soltos mais de sete horas depois, sob a condição de não denunciarem os agressores.
Naquela época um inspetor da Polícia Civil, Odinei Fernando da Silva, da delegacia da Penha, era o chefe da milícia que sequestrou e torturou os jornalistas. Davi Liberato de Araújo, com 32 anos à época, foi apontado como o segundo na hierarquia. 
Quando foi preso, em 2008, Davi já cumpria pena por roubo e receptação, e estava em regime semi-aberto em Bangu.

Liberdade condicional

Mais um caso que levanta a discussão sobre este assunto: Liberdade Condicional e Indulto em Feriados e outras datas.
Registra-se muitos casos em que o detento é beneficiado pela progressão de pena e acaba cometendo crimes, muitas vezes graves, bárbaros, imediatamente após ser colocado em liberdade.


Airton Alvares, São Paulo, SP, 04/12/2018

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